segunda-feira, 23 de maio de 2016

"Waze" do surfe, goFlow ajuda a pegar a onda ideal





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Villares, da Go4it: meta de se tornar a número um em tecnologia esportiva, 






incluindo atuação como aceleradora










Com o trânsito caótico do Rio, Renato Amorim tornou-se um usuário fiel do Waze, o aplicativo que mostra as condições do tráfego em tempo real, com a ajuda de informações dos demais usuários. Mas é a outro software, com características semelhantes, que ele recorre quando quer praticar seu esporte favorito – surfar. Batizado de goFlow, o aplicativo é uma espécie de Waze das pranchas. Com ele, as pessoas podem trocar informações, fotos e vídeos sobre as condições do mar, altura das ondas, situação da praia, clima etc.


“Moro no Leblon [na zona sul do Rio] e posso surfar na frente de casa, mas com o aplicativo dá para checar praias mais distantes”, diz Amorim, executivo da Kelly Services, empresa americana de recrutamento e seleção, e fã das ondas nas horas vagas.


O goFlow foi concebido por Roni Eshel, uma ex-campeã israelense de surfe. No tempos de competição, diz Roni ao Valor, por e-mail, era difícil reunir os dados para achar as melhores praias. “Gastei centenas de horas pesquisando na internet para saber aonde ir, onde ficar, como conhecer gente ou que época do ano era mais adequada.”


Em 2012, durante uma viagem à Costa Rica, ela percebeu que havia uma chance de preencher essa lacuna com algo nos moldes do Waze, que também foi criado em Israel e acabou comprado pelo Google em 2013, por US$ 1,15 bilhão.


Apps colaborativos tornaram-se uma tendência nos últimos tempos. As finalidades variam bastante, mas a ideia básica é a mesma: estabelecer uma rede de pessoas em torno do aplicativo, para a troca de informações ou prestação de serviços. O Uber, de transporte urbano, é uma variação desse modelo, assim como o Tinder, de namoro on-line, ou o Airbnb, de aluguel de acomodações. Em alguns, os sistemas de GPS – que usam satélites para identificar quem está mais próximo – têm um papel mais relevante que em outros, mas para todos o conceito de comunidade é fundamental.


O goFlow reúne 120 mil usuários no mundo, entre os quais os brasileiros representam o segundo maior grupo, atrás dos americanos. São por volta de 35 mil membros no país.










Recentemente, a companhia ganhou dois sócios – a agência brasileira de marketing esportivo Go4it e Neil Dana, da GoPro, a celebrada marca de câmeras portáteis usadas por esportistas. Desde que foi criado, o app já recebeu investimentos de US$ 1,5 milhão, incluindo a entrada dos novos investidores.


A Go4it foi fundada em outubro do ano passado por Cesar Villares, egresso da IMX, a ex-companhia de entretenimento e esportes de Eike Batista, e Marc Lemann, filho do bilionário Jorge Paulo Lemann, do conglomerado de bebidas AB Inbev e da 3G Capital, que controla marcas como Burger King e Heinz.


Villares deixou a IMX, na qual era vice-presidente de talentos, depois de Eike vender o negócio para o fundo Mudabala, de Abu Dhabi. Foi a paixão pelo tênis que o uniu os fundadores da Go4it. Villares foi capitão da equipe de tênis da Concordia University Irvine, na Califórnia, onde cursou administração e comunicação. Lemann foi capitão do time da Universidade Columbia, em Nova York, onde se formou em economia. Em 2010, durante o torneio US Open, eles começaram a conversar sobre um empreendimento na área esportiva.


Resultado dessas conversas, a Go4it tem três linhas de negócio. Além de administrar as carreiras de atletas como o campeão de surfe Gabriel Medina e o jogador de futebol Thiago Silva, a empresa presta serviços de consultoria para clientes como o UFC, o torneio de artes marciais mistas, e se dedica a inovações no campo dos esportes. “Queremos ser a empresa de tecnologia esportiva número um do país”, diz Villares. Um dos planos é fazer com que o braço de tecnologia da Go4it atue como aceleradora – uma organização que ajuda companhias iniciantes a crescer mais depressa. “Já estamos recebendo os primeiros projetos.”


Com o tempo, a goFlow planeja obter receita com serviços de agendamento (hotéis, passagens aéreas etc), acordos com marcas e assinaturas pagas. Por enquanto, a ideia é reforçar a comunidade de usuários. O Brasil tem 3,8 milhões de surfistas, segundo a Liga Mundial de Surfe (WSL, na sigla em inglês), mas o apelo do esporte vai além desse grupo. Segundo a WSL, 24% da população brasileira se interessa pelo surfe. No mundo, o esporte vai movimentar US$ 13 bilhões neste ano, prevê a liga.


A vitória de Gabriel Medina no campeonato mundial da WSL em 2014 – a primeira de um brasileiro – despertou a atenção do público no país. No ano passado, o título foi conquistado por outro brasileiro, Adriano de Souza, o Mineirinho. “O surfista, agora, é visto como atleta: acorda cedo, treina duro e viaja pelo mundo para competir. Grandes marcas como Oi, Samsung, Coppertone e Jeep estão acreditando nesse novo momento”, diz Villares. Medina conta com 10 patrocinadores – todos já renovados para os próximos anos.


O goFlow está disponível para os sistemas Android, do Google, e iOS, da Apple. Uma versão em português está sendo preparada. O download é gratuito.


Novos usos para o aplicativo estão sendo descobertos. A WSL e a Universidade Columbia firmaram uma parceria com o goFlow para ajudar na preservação de corais. Com o fenômeno do aquecimento global, a temperatura da água subiu, o que está destruindo os corais.


Para o surfista Amorim, a expectativa é de usar ainda mais o app. Sua nova paixão é o Kitesurfe, em que o praticante literalmente voa sobre as águas em cima de uma prancha, puxado por uma pipa gigante. Embora pouco conhecido do público, o esporte já foi acrescentado ao goFlow, ao lado de outros nove esportes ao ar livre, incluindo o ciclismo, o skate e o golfe.



Fonte: Valor Economico






"Waze" do surfe, goFlow ajuda a pegar a onda ideal

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